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Planalto reconhece que cassação de Cunha pode ficar para depois da eleição

Planalto reconhece que cassação de Cunha pode ficar para depois da eleição

Embora tenha dito que não vai se envolver e ter a certeza de que a cassação do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) é um fato consumado, o governo já admite que a votação poderá ficar para depois das eleições municipais. A princípio, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), marcou a sessão para a segunda-feira, 12 de setembro. Mas tem deixado claro que, se o quórum não estiver acima dos 450 parlamentares, não colocará o tema para ser apreciado pelo plenário.

A matemática, nesse caso, conta a favor do ex-presidente da Câmara. Para que ele perca o mandato, são necessários 257 votos, no mínimo. Como Cunha ainda tem uma tropa de choque leal, movida pela fidelidade e pelo medo de que ele exponha as entranhas do financiamento ilegal de campanhas eleitorais, é fundamental uma margem de segurança para a votação. “Tem gente, no governo e no Congresso, que não está dormindo com medo de que Cunha revele os segredos que sabe”, disse o deputado Júlio Delgado (PSB-MG).

A semana de 12 de setembro está encravada no meio da campanha eleitoral. Na análise de um experiente aliado de Temer, vários deputados poderão preferir permanecer nas próprias bases a vir até Brasília votar pela cassação de Cunha. Segundo esse analista, daqui a dois anos, quando a maioria dos parlamentares buscar a reeleição, ninguém será cobrado pela presença ou não na sessão de cassação de Cunha.

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Mas esses mesmos deputados serão questionados pela ausência nas campanhas municipais e poderão ver diminuídos os apoios políticos em cidades estratégicas. “Como as campanhas estão mais curtas, as caminhadas e os comícios estão acontecendo até mesmo nas segundas-feiras. Antes, o horário eleitoral resolvia parte dos problemas e as campanhas ficavam mais restritas ao período de quinta a domingo”, justificou um cacique governista.

“Isso é desculpa”, criticou Delgado. Ele afirma que nenhum parlamentar tem a coragem de ir para a campanha municipal com o peso nas costas de não ter cassado Cunha. “Eu, que tenho uma posição clara e conhecida por todos, sou cobrado quanto às razões de termos entrado em recesso sem encerrar essa história. Imagino o que acontece com aqueles que não têm uma posição explicitada ainda”, declarou Delgado.

O Correio já adiantou, há três semanas, que o grupo de parlamentares que apoiam o peemedebista, composto por legendas como o PSD, PTB, PRB, PR, parte do PMDB e outras legendas menores planejam esvaziar o plenário da Casa para postergar ao máximo a cassação. Para eles, se a votação acontecer pós-eleições municipais, o clamor popular pela “cabeça” de Cunha será menor.

O líder do DEM na Câmara, Pauderney Avelino (AM), afirmou que, se não houver quórum para votar a cassação de Cunha na segunda-feira 12, a sessão poderá acontecer na terça 13 ou na quarta 14. “Desta semana não passará, nosso grupo estará presente aqui”, prometeu Pauderney. Por nosso grupo entenda-se, segundo o demista, parlamentares do DEM, PSDB, PPS, PSB, a atual oposição e alguns deputados de outras legendas, insatisfeitos com o desgaste que Cunha provocou na imagem da Câmara.