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Temer: "Ministra ajuda nessa história do gênero"

Temer: "Ministra ajuda nessa história do gênero"

Foto: Beto Barata/PR

Em entrevista concedida a uma equipe de jornalistas do Globo, Michel Temer negou que tenha dado um golpe contra a presidente Dilma Rousseff, defendeu a reforma da Previdência, comentou a polêmica recente sobre a advocacia-geral da União e disse, ainda, que os protestos contra sua presidência, que têm sido quase diários, são legítimos.

Ao falar sobre a escolha de Grace Mendonça para o lugar de Fábio Medina Osório, ele disse que isso "ajuda nessa história do gênero". 

– Ela, por delegação, já vinha há muito tempo fazendo esse papel junto ao Supremo, e é muito enaltecida pelo Supremo, enaltecida pela classe jurídica. De modo que ela foi escolhida com muita naturalidade, ela seria a substituta, primeiro ponto. Segundo ponto, em face de sua competência. E terceiro ponto, é claro, que sendo mulher, ajuda nessa história do gênero" – disse ele.

Temer também foi cobrado pelo Globo sobre suas medidas impopulares, como as reformas da Previdência e trabalhista.

– Agora vem medidas impopulares? – cobrou a equipe do Globo.

— Polêmicas, né?! Ela são aparentemente impopulares, mas são no fundo populares. Nenhum governo vai querer sair daqui como alguém que destruiu a popularidade do próprio nome do governo. Então, são medidas que aparentemente são impopulares, mas que é para viabilizar a conduta e o bem-estar do povo brasileiro. O Lula mandou reforma da Previdência, o Fernando Henrique mandou reforma da Previdência, não é novidade nenhuma.

Temer também rejeitou o rótulo de golpista e disse que, sem o apoio do PMDB, Dilma Rousseff provavelmente não teria sido eleita presidente em 2014.

– Sempre se fala de vez em quando: "ah, mas o Temer não foi eleito." A eleição se deu com apoio do PMDB, nós ganhamos a eleição. Vocês sabem que sempre fui extremamente respeitoso com a presidente da República, respeitoso não só no plano pessoal, que é do meu feitio, mas no plano institucional, coisa que não recebo do lado de lá. Do lado de lá, recebo uma outra expressão - mas também não respondo. Na eleição, nós ganhamos por 3,2 milhões de votos (de diferença). Vocês lembram que, na convenção do PMDB, nós só ganhamos a convenção porque eu era o candidato a vice. E ganhamos por 59%, se vira 4,5% pro outro lado, nós perderíamos a convenção. Perdendo a convenção, o PT não teria aliança com o PMDB. Perderia em primeiro lugar 4,5 minutos de rádio e televisão, que nós demos gratuitamente. Na época, houve muita contestação. Durante a campanha, depois de muita insistência - o PMDB reclamava muito -, eu apareci uma única vez no programa de televisão durante 30 segundos. Mas tudo bem, isso não tem problema. Mas tendo feito aliança com o PMDB, conseguimos fechar pelo menos 23 estados para apoiar a chapa. Agora eu pergunto: será que esses 23 estados da federação não deram 1,6 milhão de votos para a chapa? 

Em outro trecho, ele comentou a ação do PSDB, que pede a cassação da chapa presidencial e que, portanto, pode vir a derrubá-lo.

– Em primeiro lugar, eu não participei das arrecadações da campanha presidencial. Segundo ponto é que, se o TSE resolver cassar a chapa, eu seria incoerente se dissesse que não vou obedecer a decisão do TSE. Se decidir, é claro que eu usarei de todos os recursos que a ordem jurídica me permite, porque eu tenho uma tese de que a vice-presidência é apartada da figura institucional da presidente. (...) Agora, se acontecer, aconteceu. Entrego sem maiores problemas.

Temer também criticou o aumento dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

– Eu já disse que isso daí gera uma cascata gravíssima. Porque pega todo o Judiciário, pega outros setores da administração, pega todo o Legislativo, porque evidente que o Legislativo vai… Os telefonemas que eu recebi dos governadores foram: pelo amor de Deus, Temer, não deixa passar isso.

Ele também falou sobre sua relação com Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que pode vir a ser cassado amanhã.

– Nos últimos dias não me procurou. Mas eu falava muito com ele, viu? (...) Eu falo com todas as pessoas, não posso ter essas limitações. Ele (Cunha) não tem me procurado. Agora, se me procurar, também, eu falo. Não tem nenhum inconveniente. O que ele pode me pedir? Pedir para ajudá-lo.

Por último, ele afirmou que o termo golpista "não pegou", a despeito de todas as evidências, mas voltou a contestar a tese.

 Eu quero que tenham argumentos. Porque o que está infernal no Brasil é essa irascibilidade. Isso está infernizando o país. Eu quero argumentos. Me digam qual é o golpe? Eu só quero governar. Eu já fiz a minha vida a essa altura, na vida profissional, na universitária. Para mim, é honroso (assumir a Presidência). Não é questão de vida ou morte.

Fonte: Brasil 247