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Cérebros urbanos

Cérebros urbanos

Como a aplicação da tecnologia às cidades pode viabilizar o crescimento contínuo das cidades e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos

Muito mais do que uma tendência tecnológica, o advento das SmartCities - ou Cidades Inteligentes - representa “revolução histórica na maneira como as cidades são construídas e gerenciadas”, conforme descreveu Anthony Towsend em seu livro “Smart Cities”. O fator motivador nesta direção é forte: o número de pessoas vivendo nas cidades vem crescendo, em média, em 60 milhões ao ano, ao mesmo tempo em que essas pessoas tornam-se cada vez mais exigentes em relação à qualidade de vida proporcionada pelos espaços urbanos. Nesta equação, a tecnologia tem papel fundamental. Ela viabilizará boa parte da transformação.

O potencial econômico e social dessas tecnologias é gigantesco. Estimativas da McKinsey apontam que as aplicações da Internet das Coisas às cidades devem permitir uma economia de US$ 1,7 trilhão ao ano em 2025. Os principais benefícios devem ser capturados na área de saúde pública - que deve salvar cerca de US$ 700 bilhões por ano daqui a dez anos, graças ao uso de tecnologia -, mas outras áreas, como transportes, gestão de recursos e segurança também devem ser fortemente impactadas pela tecnologia ao longo da próxima década.

As cidades inteligentes tornam-se possíveis por meio da concretização da alardeada internet das coisas (IoT). Quando levadas ao ambiente urbano, as tecnologias que compõem a internet das coisas levam inteligência a processos já existentes ou criam novas maneiras de se realizar antigas tarefas - e assim surgem as Smart Cities.

Uma série de tecnologias “invisíveis” precisam ser implementadas nas cidades para que elas se tornem realmente inteligentes. A Pike Research prevê que o mercado global de soluções para smart cities somados aos serviços para sua implementação deve movimentar US$ 408 bilhões até 2020 - e devem impactar outros segmentos (como os de engenharia e infraestrutura física e lógica) que movimentarão outras centenas de bilhões de dólares no período.

A arquitetura de uma smart city passa pela construção de uma infraestrutura de redes robusta e com alta capilaridade, baseada em padrões tecnológicos que lhe permita crescer de maneira segura, e que, ao mesmo tempo, garanta que os investimentos serão preservados ao longo do tempo. Uma infraestrutura de rede única, convergente, que suporte todos os serviços dos quais as cidades dependem, com alto nível de segurança e disponibilidade - e que, em sua construção, leve em consideração não apenas o custo, mas a qualidade e escalabilidade do projeto. A essa rede, devem estar integrados os milhões de sensores espalhados pelas cidades, para os mais diversos fins. Instrumentos capazes de coletar dados climáticos e de trânsito, informações sobre distribuição de energia, gás e água, imagens em tempo real, enfim, toda uma gama de informações capazes de reproduzir digitalmente toda a pulsação da cidade, em cada uma de suas atividades.

Finalmente, há de ser feito um massivo investimento em capacidade de processamento, armazenamento e em soluções analíticas, ou seja, na 'inteligência' desse ecossistema. As soluções de big data analytics capazes de processar os petabytes de dados coletados e de extrair informações úteis consistem no cérebro das cidades do futuro. A elas devem ser agregadas regras de negócios e aplicativos que permitam que toda essa tecnologia cheguem aos usuários finais e efetivamente impactem o dia a dia dos cidadãos.

Como resultado, as aplicações da tecnologia em prol da vida urbana são infinitas, mas há alguns casos de uso que já vêm se consolidando como fundamentais quando se imagina uma cidade inteligente. O âmbito dos transportes deve ser um dos principais beneficiados com a possibilidade de adoção de semáforos inteligentes (que adequam o tempo de abertura de acordo com o volume de veiculos em ambos os sentidos de tráfego), assim como a gestão do transporte público pode ganhar em eficiência e qualidade do atendimento ao usuário com pontos de ônibus informativos, roterização inteligente (de acordo com o trânsito, por exemplo), entre outros. A possibilidade da existência de carros autônomos dentro de alguns anos abre espaço para a criação de ainda mais aplicações que devem beneficiar o trânsito das cidades.

A gestão dos recursos naturais e a manutenção urbana também podem ganhar com a tecnologia. Sensores nas redes de distribuição de água e energia elétrica contribuirão para redução de perdas e de fraudes, assim como permitem a criação de novos modelos de negócios para as utilities. Mais eficiência na coleta de lixo e na limpeza de bueiros - graças a sensores de odor e volume -, por sua vez, devem proporcionar significativa economia aos cofres públicos, assim como a agregação de inteligência à iluminação pública. Estudos da Cisco prevêem que novas tecnologias de iluminação pública podem levar a economias de EUR 10 bilhões ao ano. Além disso, a iluminação inteligente nos ambientes públicos das cidades podem ser usadas também como ferramentas em prol da segurança pública, em soluções combinadas com câmeras de segurança que devem colaborar na prevenção de crimes.

Quem não gostaria de viver em uma cidade sem engarrafamentos? Quem não gostaria de morar em um bairro cuja coleta de lixo fosse eficiente e sustentável? Qual cidadão não estaria engajado em ajudar uma cidade que o ouvisse? Pois bem, todos gostaríamos de viver em uma Cidade Inteligente.

*Lucas Pinz é diretor de tecnologia da PromonLogicalis responsável por iniciativas relacionadas a IoT e transformação digital

Fonte: Lucas Pinz